O que é
As contas externas, ou balanço de pagamentos, registram todas as transações do Brasil com o resto do mundo. O indicador mais acompanhado é o saldo das transações correntes, divulgado todo mês pelo Banco Central, normalmente no fim do mês seguinte.
Como é calculado
As transações correntes somam:
- Balança comercial de bens: exportações menos importações. O Brasil costuma ter superávit, puxado por petróleo, soja, minério e carnes.
- Serviços: viagens internacionais, fretes, aluguel de equipamentos, softwares e royalties. Costuma ser deficitário.
- Renda primária: juros, lucros e dividendos pagos e recebidos. É o maior déficit, porque empresas estrangeiras instaladas aqui remetem lucros às matrizes.
- Renda secundária: remessas pessoais e doações.
Do outro lado, a conta financeira mostra como o país se financia, principalmente pelo Investimento Direto no País (IDP), quando estrangeiros abrem ou compram empresas aqui. As reservas internacionais são a poupança em moeda estrangeira do Banco Central.
O que faz o saldo mudar
- Preço das commodities: soja, petróleo e minério em alta melhoram a balança.
- Ritmo da economia: crescimento forte aumenta importações e remessas de lucros.
- Câmbio: dólar caro reduz viagens ao exterior e importações.
- Juros internacionais: mudam o custo da dívida externa.
Onde afeta
- No dólar: um déficit grande sem financiamento estável pressiona o câmbio.
- Na percepção de risco: investidores olham se o déficit é coberto por investimento direto, considerado mais estável que aplicações financeiras de curto prazo.
- Na proteção contra crises: reservas altas reduzem a vulnerabilidade a choques externos.
Como ler o número
O mês isolado oscila muito; o mais importante é o saldo em 12 meses como porcentagem do PIB. Um déficit em torno de 2% a 3% do PIB, coberto com folga pelo investimento direto, costuma ser considerado administrável.
Para acompanhar junto
Dólar, balança comercial, preços das commodities e reservas internacionais.